Congresso Anual da Associação Canadense de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos (ACELAC/CALACS)
Desestabilizando a Memória, Reivindicando Justiça e a Reconfiguração da América Latina e do Caribe
13 a 15 de maio de 2027
Organizado pelo CERLAC, York University
Toronto, Ontário
Chamada de Trabalhos
A América Latina e o Caribe encontram-se em uma conjuntura crítica. Em toda a região, as instituições democráticas enfrentam pressões crescentes diante do avanço do autoritarismo, da erosão dos direitos dos cidadãos, dos ataques a regimes de cidadania multicultural conquistados ao longo de décadas, da ascensão de movimentos fundamentalistas de extrema direita e do ressurgimento de populismos. Esses processos são cada vez mais viabilizados pelo lawfare, pela vigilância digital, pela repressão transnacional e por outras formas de controle autoritário impulsionadas pela tecnologia. Eles se desenvolvem em meio a uma reconfiguração geopolítica mais ampla, marcada pela intensificação da influência dos Estados Unidos, pela transformação das doutrinas regionais de segurança e pela contínua consolidação de modelos extrativistas e neoextrativistas de acumulação. O Caribe, em particular, encontra-se no centro de pressões convergentes e frequentemente contraditórias: o agravamento da crise climática, as demandas ainda não resolvidas por justiça reparatória e os esforços desiguais de integração regional. Em conjunto, essas forças configuram um momento de profunda vulnerabilidade, mas também de importantes possibilidades políticas.
Essas pressões encontram forças de resistência que vêm remodelando a região. Em contextos rurais, costeiros e urbanos, práticas inovadoras de resistência, ativismo e construção da memória estão redefinindo a vida política e social. Movimentos por justiça oceânica e defesa territorial, juntamente com diversas tradições ontológicas e epistemológicas, desafiam concepções convencionais de desenvolvimento e política e abrem espaço para visões alternativas de vida coletiva. Movimentos feministas e queer, assim como comunidades migrantes e diaspóricas que se organizam através das fronteiras, também estão redesenhando os limites do pertencimento político e da solidariedade. As lutas socioterritoriais são particularmente significativas por sua capacidade de sustentar a ação coletiva, mobilizar iniciativas e produzir, ao longo do tempo, inovações pedagógicas e práticas.
Essas lutas também são travadas no próprio terreno da memória. Narrativas hegemônicas — frequentemente construídas para legitimar a violência estatal, as ditaduras e a expropriação — vêm sendo cada vez mais desestabilizadas por memórias clandestinas, subalternas e contra-hegemônicas, que contestam as histórias oficiais e exigem responsabilização. A relação entre memória, memórias plurais e contramemória acompanha uma reconsideração mais ampla da própria justiça. Os movimentos vêm promovendo modelos plurijurisdicionais e juridicamente pluralistas — incluindo sistemas de justiça indígenas, afrodescendentes e comunitários — que desafiam o monopólio do Estado sobre a definição do que constitui justiça e sobre quem possui autoridade para administrá-la.
A ACELAC/CALACS 2027 convida à submissão de trabalhos, painéis, oficinas, mesas-redondas, apresentações de livros e intervenções criativas que dialoguem com este momento de ruptura e reinvenção. Recebemos com entusiasmo participantes do Canadá, da América Latina, do Caribe e de suas diásporas — incluindo pesquisadores consolidados, estudantes de pós-graduação, pesquisadores em início de carreira, artistas, ativistas, formuladores de políticas públicas e profissionais de diferentes áreas. Temos interesse especial em trabalhos que atravessem fronteiras disciplinares, dialoguem com conhecimentos não acadêmicos e comunitários e experimentem novas formas de engajamento acadêmico e público. Encorajamos especialmente vozes novas e emergentes a trazerem suas questões, métodos e perspectivas para essa conversa.
Aceitamos contribuições sobre os seguintes temas, entre outros:
- Autoritarismo, lawfare e vigilância digital;
- Cidadania, direitos e regimes multiculturais sob ameaça;
- Influência hemisférica dos Estados Unidos e doutrinas regionais de segurança;
- Crise climática e (in)justiça ambiental no Caribe e na América Latina;
- Justiça reparatória e integração regional;
- Justiça oceânica e defesa territorial;
- Visões de mundo indígenas, afrodescendentes e ontoepistêmicas;
- Relações urbano-rurais, desigualdades socioespaciais e lutas interconectadas;
- Organização feminista, queer e migrante/diaspórica;
- Lutas socioterritoriais, memória e pedagogias de resistência;
- Memórias hegemônicas, clandestinas/subalternas e contra-hegemônicas; histórias contestadas;
- Pluralismo jurídico e formas plurijurisdicionais de justiça;
- Extrativismo, neoextrativismo e modelos alternativos de desenvolvimento.
O Congresso da ACELAC/CALACS será sediado por nossos colegas do Centre for Research on Latin America and the Caribbean (CERLAC), da York University, em Toronto, Ontário, entre 13 e 15 de maio de 2027. Sob o tema “Memória, Justiça e a Reconfiguração das Américas”, o congresso ACELAC/CALACS 2027 convida a uma reflexão crítica sobre como ordens políticas, identidades coletivas, territórios e formas de justiça estão sendo contestados e reconstruídos.
Convidamos trabalhos de reflexões que abordem dinâmicas urgentes e interconectadas, examinando reconfigurações democráticas, alianças interseccionais, movimentos socioterritoriais, resistência afro-indígena, justiça oceânica, mobilização feminista e queer, migração e diáspora, vigilância digital, repressão transnacional e autoritarismo impulsionado pela tecnologia. Encorajamos submissões atentas às interseções entre gênero, raça, classe, geração, deficiência, sexualidade e status jurídico em toda a região e em suas diásporas.
Aceitamos propostas de trabalhos individuais, painéis, oficinas, mesas-redondas, apresentações de livros e trabalhos artísticos ou de pesquisa-criação. Contribuições de artistas, cineastas, performers, formuladores de políticas públicas, ativistas, detentores de conhecimentos comunitários e pesquisadores que trabalhem com formatos criativos e não tradicionais são especialmente bem-vindas. O principal idioma de trabalho da conferência será o inglês, mas serão consideradas propostas de apresentações em inglês, espanhol, francês e português. As propostas deverão ser submetidas por meio do formulário do Google até 31 de outubro de 2026, às 23h59, horário do leste (EST).
- As propostas de trabalhos individuais deverão incluir: nome do(a/s) apresentador(a/es); afiliação institucional ou comunitária; título da apresentação; resumo de no máximo 200 palavras. Aplique Aqui
- As propostas de painéis deverão incluir: nome(s) e afiliação(ões) do(s) organizador(es); título do painel; breve descrição do painel; nomes e afiliações de todos os participantes; resumo de no máximo 200 palavras. Os painéis poderão incluir entre quatro e oito participantes e poderão ser organizados em uma ou duas sessões interligadas. As propostas deverão indicar a estrutura pretendida para a(s) sessão(ões). Aplique Aqui
- As propostas de mesas-redondas deverão incluir: nome(s) e afiliação(ões) do(s) organizador(es); título; descrição da questão central e do formato; nomes e afiliações de todos os participantes. As mesas-redondas poderão incluir entre cinco e oito participantes. Aplique Aqui
- As propostas de oficinas deverão incluir: nome e afiliação do(a) organizador(a); título; descrição; objetivos e público-alvo; duração e formato propostos; quaisquer requisitos relacionados a materiais, acessibilidade, espaço ou recursos técnicos. Aplique Aqui
- As propostas de apresentação de livros deverão incluir: nome(s) e afiliação(ões) do(s) autor(es) ou editor(es); informações bibliográficas completas; breve descrição da contribuição do livro; Os anos de publicação elegíveis são 2026 e 2027. Aplique Aqui
- As propostas artísticas e de pesquisa-criação deverão explicar sua relação com o tema do congresso e incluir: nome e afiliação do(a) criador(a); título; descrição de no máximo 200 palavras; formato proposto para apresentação ou instalação; quaisquer requisitos relacionados à acessibilidade, espaço, materiais ou recursos técnicos. Aplique Aqui
Reconhecimento Territorial do Local da Conferência: Os povos das Primeiras Nações (First Nations) vivem nesta parte da Ilha da Tartaruga (Turtle Island) há milênios, cuidando da terra, das águas e de tudo aquilo que contribui para a vida nesta região. Atualmente, a cultura e a presença dos povos das Primeiras Nações, Inuit e Métis enriquecem as terras e as pessoas deste território.
Há mais de dois séculos, o povo Mississauga recebeu colonos neste território, fornecendo sustento e estabelecendo relações de comércio e intercâmbio. Entre 1781 e 1820, foram assinados oito tratados entre a Coroa e os Mississaugas of the Credit First Nation, que abriram seu território à colonização.
Atualmente, o Keele Campus da York University está localizado nas terras abrangidas pelo Toronto Purchase Treaty, Treaty No. 13, e situa-se no território tradicional dos povos Huron-Wendat e Haudenosaunee.
A história dos tratados é fundamental, e é nossa responsabilidade coletiva honrar a terra, assim como honramos e respeitamos aqueles que vieram antes de nós, aqueles que aqui estão e aqueles que ainda virão. Somos gratos pela oportunidade de aprender, trabalhar e prosperar nesta terra e assumimos o compromisso de conhecer a verdade e participar ativamente do processo de reconciliação.
